Uma Pausa Estratégica

Por Por Gilberto Cavicchioli . Profissional S/A - Artigos

Vivemos tempos complexos deste Brasil de 2015 que não deverão deixar saudade. No meio de forte turbulência e grandes incertezas devemos encontrar meios de renovar forças para o Ano Novo. Mas, onde? E como?

No nosso dia a dia podemos criar momentos para, rever, reavaliar, escutar, respirar, com foco no repensar. Repensar nosso propósito de vida poderá ser a essência para se vivenciar momentos para uma pausa, uma suspensão dos movimentos. A vontade e a pressa para alcançar o sucesso – que todos cobram de todos – se tornam um contraponto, entretanto, fazer uma pausa potencializa o nosso desempenho.

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Permanecemos conectados digitalmente em todos os lugares, amarrados ao um relógio global, 24 horas por dia. É humanamente impossível, manter bom desempenho em tudo o que fazemos pois a lista de demandas, tanto pessoais quanto profissionais, nunca termina.

O ritmo imposto pelos compromissos profissionais e familiares dão sinais de trégua nesta época do ano quando tanto grandes quanto pequenas empresas – justificadamente – dão férias coletivas aos seus colaboradores. Eis aí boa hora para encarar uma pausa e observar trabalho e família sob outros aspectos.

O maior exemplo de que pausas são fundamentais na vida das pessoas é o sono, necessidade essencial e básica para a saúde e sobrevivência de todo ser vivo. O sono transforma, revitaliza, restaura forças, trás novas perspectivas e instiga nossa criatividade. O que o sono significa para o corpo e a mente, a pausa significa para a liderança e a inovação, explica o americano Kevin Cashman, autor de relevantes trabalhos no campo do comportamento e desempenho humano nas organizações.

Qual seria a senha para realizarmos uma pausa, um recuo intencional? A falta de tempo não deve ser uma boa desculpa.
Alterar nosso ritmo diário e provocar uma pausa exige estratégias.

Uma estratégia é fazer uma pausa para afiarmos o nosso machado – dar um tempo! Interromper ações visando elevar a nossa eficiência, otimizar nossos esforços, rever processos, perceber coisas sob outros ângulos. Deixar a mente divagar pode ser um dos métodos para “reiniciar” o nosso cérebro.

Numa outra alternativa, o desafio é fazer aquela pausa tão imprescindível quanto o sono que sabemos ser essencial e que depende exclusivamente de nossa escolha. Durante o sono vivenciamos a pausa sagrada para relaxar o corpo, a mente e o espírito. É nessa pausa, em que nos mantemos acordados, nossos sonhos e ideias renovadoras – fora da caixa – nascem dos horizontes da nossa imaginação.

Na convivência com essa pausa para implantação de novas ideias, o ócio é super justificado. Nele, sentimos a sensação de que o corpo está aproveitando o relaxamento, a mente responde com o aumento de nossa percepção aos cinco sentidos, o espírito desperta, se sente motivado para entrar em campo e assumir o comando. Essa pausa proporciona o esquecimento temporário de quem somos, predominando o que sentimos. Nossas formas clássicas de mostrar quem somos perante a sociedade por meio do nosso RG ou CPF, perdem nessa hora, sua utilidade. O que conta é diminuir o ritmo e conectar-se com outras pessoas, outras energias mais sutis, com outros pensamentos e fazer algo significativo exercitando nossa habilidade de fazer uma pausa e descansar.

O ritmo exigido dos líderes nunca foi tão desafiador. No mundo dos negócios, há estilos de liderança para situações específicas, no entanto, neste momento de fechamento de atividades, o estilo adequado de liderança é liderar por meio da pausa, da trégua. Praticar a pausa e o que ganhamos com ela é o estilo adequado neste encerramento e recomeço de ano.

Na pauta da pausa, não entra a avaliação de desempenho. O que pode ser medido é a nossa capacidade natural de recuar, de refletir e então prosseguir com maior clareza, ímpeto, criatividade e esperança.

23 de Dezembro, 2015

Gilberto Cavicchioli_Gilberto Cavicchioli

Professor da ESPM nas disciplinas de Gestão de Pessoas, Técnicas de Negociação, Marketing de Serviços, Liderança e Desenvolvimento de Equipes e da Fundação Getúlio Vargas nas disciplinas da área de Vendas. É mestre em Administração e possui também formação em Coaching pelo método Personal & Professional da Sociedade Brasileira de Coaching.