Por que os jovens precisam tanto de mentoria?

Mentoria, Profissional S/A - Artigos

Antes de responder a pergunta título deste texto, vamos falar da atividade de mentoria, explicar o papel de um mentor na vida profissional das pessoas. Mentoria – termo tão em uso para definir o profissional experiente, com bons anos de carreira –, assume o papel de mentor ou líder, que, por meio de perguntas, argumentos e atitudes promove no mentorado, aprendiz ou liderado, a vontade de aprender. O mentor, convém lembrar, não tem nada a ver com a imagem de um sábio corporativo aconselhando o jovem profissional inexperiente e indeciso.

Ajudar o outro a aprender

A mentoria, segundo Chip Bell, autor norte-americano especialista no assunto é definida como o ato de ajudar o outro a aprender. “Mostre como isso funciona”, é a questão frequente que ouço de alunos de pós-graduação e de jovens executivos diante dos constantes desafios que enfrentam em suas carreiras profissionais.

Para entendermos a eficácia da atividade de mentoria, precisamos delimitar o nosso campo de atuação. A mentoria proporciona apoio ao jovem para desenvolver sua sensibilidade em prever movimentos, em desenvolver resiliência, rastrear oportunidades e também preparar-se para as mudanças ou frustrações na carreira.

O mentor dá apoio ao mentorado, por exemplo, na forma como lidar com expectativas em seu trabalho que não se materializam. Ou, na tomada de decisões que envolvam outras pessoas, às vezes até parentes ou amigos de longa data. O processo de mentoria deve ajudar o mentorado a desapegar-se de crenças que não atendem mais suas expectativas, tanto pessoais quanto profissionais.

É frequente o papel do mentor no apoio a decisões que envolvam a sucessão de herdeiros na empresa familiar, com choque de interesses e a pacificação de conflitos entre administradores de gerações diferentes, o conhecido “choque de gerações”.

Para não perder noites de sono

A geração dos millennials, também conhecida como geração Ynome dado aos jovens que estão hoje na faixa dos 20 a 30 e poucos anos – que assumem posições de liderança em suas empresas e encontram dificuldades em lidar com frustrações profissionais como melhoria de salário, promoção de cargo ou outras formas de reconhecimento por parte do seu superior, que não aconteceram conforme as suas expectativas.

A velocidade dos acontecimentos é hoje a marca registrada dos nossos imprevisíveis ambientes de trabalho. “Professor, em dezembro completo 29 anos e estou me sentindo velha lá na empresa; não evoluí profissionalmente nesses anos como me planejei. Onde estou errando”?

Em situações assim, existe a possibilidade de o mentor fazer do “limão uma limonada”, conscientizando o mentorado das vantagens do aprendizado que está por traz de uma frustração ou fazê-lo enxergar novas possibilidades na carreira a fim de desenvolver competências comportamentais, que darão suporte à retomada da sua autoconfiança.

O compartilhamento de conhecimentos entre mentor e mentorado é essencial sem qualquer tipo de dependência.

Muito normal que jovens estejam perdendo noites de sono, preocupados com o futuro. Faz parte do nosso mundo competitivo, não é mesmo? O jovem que procura ajuda de um mentor quer atenção. Ele precisa do apoio e da orientação individual para manter-se atualizado, resiliente e forte no ambiente ultra competitivo dos negócios, refletindo sobre posturas poderão limitar sua percepção de crescimento futuro.

É também papel do mentor alertar o mentorado para a necessidade de equilíbrio entre pensamento racional e emocional, ajudando na redução do habitual ceticismo que permeia o mercado.

Observo que em situações de estresse, pode faltar ao mentorado o discernimento ou o bom senso, para equilibrar ações racionais – que são instrutivas, com ações baseadas na emoção – que são inspiradoras – e que provocam a ousadia nas pessoas.

Perguntas Capciosas

O mentor desafia o mentorado a refletir com perguntas capciosas, ajudando-o a desenvolver a capacidade de adaptar-se às circunstâncias. Costumo iniciar sessões de mentoria com a pergunta: o que você acha que precisa aprender? Ou, onde nesse seu momento de vida, eu poderia ser mais útil? Ou, descreva o que gostaria de ter realizado até aqui.

O mentor demonstra, naturalmente, entusiasmo pelo processo de aprendizagem, ajudando o seu pupilo a lutar e encontrar o próprio caminho.

E de forma autêntica, orienta o mentorado a avaliar seus sentimentos e necessidades antes de tomar decisões e alimentar o sonho do que pode vir a ser com sua ajuda.

Por Gilberto Cavicchioli

Consultor de empresas, é professor da ESPM, Fundação Getúlio Vargas e SENAC; realiza palestras motivacionais, treinamentos e capacitação de pessoas no ambiente de negócios, coordena o site profissionalsa.com.br, é colunista em revistas especializadas e é autor dos livros: O Efeito Jabuticaba e Cartórios e Gestão de Pessoas: um desafio autenticado.

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